Plot
Por que não usar o superlativo absoluto sintético ‘dulcíssima’?, eu me perguntei logo de cara, no início da tradução. Era o que Massimiliano Frezzato, o autor, certamente matutara para dar sabor à frase [“Como uma dulcíssima utopia…”] do quadrinho de abertura de “A segunda lua”, primeira história da sua série hiperautoral, Os Guardiães do Maser, mais um lançamento no Brasil da Graphite Editora. E quem disse que o leitor está em busca de facilidades? De “adaptações” que, no fundo, lhe antecipam a história? Quem disse que ele não quer ler-sentir a originalidade, a espontaneidade, o realismo da escrita de um autor como Frezzato, que passou toda a sua juventude edificando a sua obra-prima, reconhecida não só na Itália, como na França, Espanha, Portugal, Bélgica, Alemanha, Polônia, Dinamarca e Estados Unidos. Assim, a adaptação travestida de tradução é como desvelar indevidamente tramas e surpresas futuras de uma história em série, sonegando ao leitor a experiência pessoal da descoberta e a vivência rica do labirinto de uma linguagem própria. No caso de “A segunda lua” de Frezzato, esta máxima aparece praticamente em cada uma das páginas da história.